sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

This Mess We're in with Trent Parke

Bom,não sei a galera do peixes conhece PJ Harvey.Imagino que sim,sendo pessoas de bom gosto que são.Mas como sempre ha um exceção na regra,pessoas de bom gosto tambem tem gostos discutiveis(eu mesmo sou fã incondicional do Fabio Jr...hahahaha....brincadeirinha!).Enfim,nem sei se tenho bom gosto.Alguns dizem que sim e do meu proprio ponto de vista é,eu confesso.Eu tenho!Narcisismo a parte,vou deixar ai um video com um som do genial Thom yorke com a espetacular PJ Harvey.Num encontro desses só podia sair uma pira muito massa.
Enjoy the video!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

thom yorke on henry rollins performing the clock

Time is running out for us


O dia lento como uma marcha fúnebre incidide sobre mim um funesto pressagio.Cavalga os ponteiros do relógio com seu sorriso desdenhoso,como alguém que carrega todas as verdades possíveis num útero exalando pânico.
Me arrasto hesitante por entre ruas sem nenhuma convicção dentro de mim.Passo pelas aléias sem notar a beleza de nada.Estou cega pela infausta amargura que me corrompe.Apatia gritante pelos anos todos trancados em minha cela de uma certa misofobia amorosa.

Time is running out for us
But you just move the hands upon the clock
You throw coins in the wishing well
For us
You just move your hands upon the clock

Como um ser autômato me dirigo ao fatidico destino que ansiosamente implora nossa alma desde que viemos da possibilidade obscura do nada.Tudo o que nos resta são duvidas.Sussurante voz meliflua dos atos: faz de mim seu titere obediente a que nada contesta.
Não quero ser responsavel por minha realidade translucida.
Sobre mim o ceu estival em suas cores surrealistas de entardecer é como uma chave que convulsivamente abre as travas para lembranças que prefiro manter afastadas.Deixo-me afundar na meia obscuridade de sentimentos que recuso como sendo meus.Apresso os passos.Eu,a observadora dentro da maquina.

It comes to you begging you to stop
Wake up
But you just move your hands upon the clock
Throw coins in the wishing well
For us
You make believe that you are still in charge

Um saco de ossos que vagueia pelo simulacro de uma existencia.Uma coadjuvante da propria historia.
A voz meliflua e hipnotica me guia por entre vielas desconhecidas como se ha muito as conhecesse.Soturnas ruas estreitas de granito com seus casebres de tijolo carcomido pelo tempo,casas antigas de janelas e portas que dão diretamente para rua.Pareço conduzida dentro de um quadro impressionista onde não sinto minhas pernas.
Desemboco numa ponte estreita de granito lajeado e ali permaneço atônita.Na espera do ultimo grande ato do mestre titereiro aqui estou.O fantoche maltrapilho que jamais enxergou alem de si mesmo.
Em passos lânguidos caminho ate o parapeito.O misterio da vida alimenta o martirio do proprio misterio.Tudo tão confuso e insosso.Olho para as aguas turvas do lago e sinto como se um famigerado monstro ali me aguardasse.Respiro profundamente e o ar é entrecortado pela duvida.O ultimo ato da comedia é tragico.

E no final das contas tudo é vacuo.


"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ho Ho Ho

Primeiramente, não posso deixar de agradecer ao mais novo peixe imerso nessa paranóia radioheadiana... O prazer é nosso em tê-lo aqui.

Bem, me veio uma música na cabeça que casou-se perfeitamente com meu estado de consternação. Não que essa angústia esteja cravada no meu peito de forma a me torturar, a me destruir. Não é isso.

Mas enfim, falarei de minha experiência natalina entre pessoas que costumamos chamar de família. E depois disso, vocês poderão entender a razão dessa música ter impregnado meus pensamentos.
Minha família é engraçada, respeitam minha posição e minhas idéias, pois no fundo possuem a legítima certeza de que um dia serei uma cristã exemplar. Uma porralouca revolta, subversiva, mas que um dia edificara uma família. Mas 2+2=5, então...

Bem...
Faltavam 5 minutos para as 24h e eu saboreava lentamente aquela refeição deliciosa que só desfrutamos no dia do natal. Tocava um samba das antigas em volume suficientemente perturbador e as imagens ficavam por conta da missa do galo. De antemão, já avisava minha irmã de que não levantaria da mesa para desejar feliz natal para ninguém, até porque a comida era muito deliciosa para ser abandonada no prato à mercê do relento. Mas enfim, todos vieram até mim meio que com aquele olhar de compaixão.
Longe de mim a hipocrisia, e, ao contrário da minha família, não pretendia cumprimentá-los até por respeito à própria crença que eles possuem. Seria um desrespeito da minha parte ser tão irônica num dia de extrema relevância para os cristãos. Porra, era aniversário do papai-noel!
Mas mesmo assim a noite foi bem agradável. Comi bastante, revi minhas primas e não ganhei nenhum presente.

Mas se um dia eu pirar, se um dia eu desejar que tudo na vida seja quadradinho e com resultado igual a 4, com fórmulas mágicas e resultados perfeitos, por favor, "destrua meus miolos".

E segue a música que estava em repeat na minha cabeça.


A Reminder

If I get old
I will not give in
But if I do
Remind me of this

Remind me that
Once I was free
Once I was cool
Once I was me

And if I sat down and crossed my arms
Hold me until this song

Knock me out
Smash out my brains
If I take the chair and start to talk shit

If I get old remind me of this
That night we kissed and I really meant it
Whatever happens if we're still speaking
Pick up the phone
Play me this song

Do precioso e curtíssimo intervalo de tempo onde todas as coisas desse mundo acontecem:


Everything in it's right place.

Sentados lado a lado no banco de uma Igreja antiga, daquelas com vitrais coloridos e torres gigantes. Cheguei até lá porque os sinos badalaram me chamando, não pude entender o que você me dizia, mas sabia que você chamava por mim.


What is that you try to say?

In the next act, você pirava nos meus pés. Olhava com atenção, tocava meus dedos com calor, fazia semi-cócegas, carinho puro... eu não entendia seu gesto e queria que você me explicasse, mesmo sabendo que, no fundo, eu já havia entendido tudo.


There are two colors in my head!

O brilho que vinha do altar sagrado ofuscava minha visão, e eu não podia ver seu rosto. Mas sabia que era você alí do meu lado. Todas as cores faziam redemoinho na camada exterior da minha pupila, e quando quis te explicar, meus pés em suas mãos, o brilho faíscante das cores, eu não pude mais falar nada...


Everything in it's right place?

No meio deste turbilhão de cores e sensações deliciosamente esquisitas - o sagrado e o profano, o brilho e a escuridão, a leveza e o peso -, a pequena e misterioso igreja começa a desmoronar, em nossa cara. Vindo ao chão pouco a pouco, vitrais seculares, santos de barro, velas gigantes... Não tenho tempo de pensar em nada, só de sentir os seus braços me guiando pela cintura, em meio à escuridão total.

Estamos salvos, nada mais poderá nos acontecer.
E um sopro de frescor de felicidade é a última coisa que me lembro de ter sentido.



Just 'cuz you feel it doesn't mean it's there!



Acordei.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Radiohead- Where I end and you begin (live)


Não posso me esquecer de deixar aqui um feliz natal pra galera do Peixes Estranhos(caraca,eu sou indubitavelmente um weird fish...haha).

E dizer que o texto de vocês e as piras são muito massa.Curti!!!

Abraço pra vcs e felicidades!


obs: nesse natal consuma Radiohead sem moderação!

there's a gap in between.....


Pensando quão ridiculo é se preocupar com nossos medos interiores num espaço tão curto de tempo chamado vida.Presos em nossa mente como um feto intra-ulterino os medos se propagam.Viveremos a existencia em toda sua breviedade inebriante.Ha um vazio crescente entre nos e nele vivemos nossa eterna mudança.Você sorri seu sorriso enferrujado e diz que tudo é amor e medo.Amor a vida e medo da morte.Tudo tão simples e tão patetico.Palavras tremulas de uma lingua serpenteante de tedio.


There's a gap in between

there's a gap where we meet

where i end and you begin


Dançamos na penumbra do sentimento vil vestidos com nosso manto de pensamento cinico.Vimos no amor a manifestação da descoberta para uma prole inteligente e bonita.Destarte fugimos sem mais delonga.Abraçamos Schopenhauer num devaneio torpe de alma hermetica.Digo adeus e fujo.Você sorri e diz que é apenas medo.Amar é ter medo.


and i'm sorry for us

the dinosaurs roam the earth

the sky turns green

where i end and you begin


Perdi meu chão.Solto num espaço irreal onde eu termino e você começa.Sinto falta daquilo que jamais poderei sentir.Daquilo que jamais poderei ver.Daquilo que jamais poderei tocar.


i am up in the clouds

i am up in the clouds

and i can't and i can't come down

i can watch but not take part

where i end and where you start

where you, you left me alone

you left me alone.


De onde estou jamais poderei ser ferido.Aqui ja não ha espaço para sentimentos que me são alheios.Pensando no tragicômico destino da vida com escarnio me abstenho de tomar parte.Sou eu apenas aqui preso em mim mesmo.Fico sozinho neste vazio quase tangivel onde me descubro em eterna mutação sem jamais viver toda a complexidade da vida.Então assinalo esse momento como sendo o grande dia.


X' will mark the place

like parting the waves

like a house falling in the sea.


I will eat you all alive

there'll be no more lies


Sou eu aqui então solitariamente consumido pela minha propria loucura.Concedo-me a liberdade primeva que antecede a tudo.Na minha morada não ha espaço para mentiras.

Você sorri e diz que tudo é amor e medo.

Cenarios radiohedianos





domingo, 23 de dezembro de 2007

Eu queria saber o que você faria.
Se descobrisse que fosse inevitável de fato, e não apenas supostamente.
O que você faria?
Se a sonoridade existisse em tudo, em todos... Se o que você ouve fosse realmente o que você achou ter ouvido...

What was that yoy try to say??



"Pela janela do apartamento uma tenue faixa de luz arraiga-se ao ambiente antes completamente imerso na escuridão,fortuita a luz torna-se imprescindivel,tão inverrossimel tem a tonalidade do q vivo agora q não conheço mais em mim exatidão de palavras.Apenas deixo-me ser arrebatado pela dolente melancolia das notas radiohedianas q se expandem pelo ar impregnando tudo a minha volta.Isso e suas mãos macias q acariciam a pele aspera de meu rosto. ...I sucked the moon I spoke too soon And how much did it cost? I was dropped from moonbeams And sailed on shooting stars Dividimos nossa morfina melodica presos numa linha do tempo,a sonoridade extasiante preenche o amago e sinto transmutar em algo entre ser e o não ser.Uma porta q se abre entre o isto e o aquilo.Como se fosse mergulhado num vazio e fosse embebido por tudo aquilo q constitue o nada.Deixamos nos perder,flutuar entre sintonias de pensamento,nuvens de sentimentos reciprocos. ...In pitch dark I go walking in Your landscape... Viajo pela paisagem desenhada de sua alma e o q vejo é o resultado infrutifero de nossa profilaxia.Olhando em seus olhos encontro meu sentido pra continuar vivo.Seus olhos merencorios,a porta para morada na qual me liquifaço.Sua alma,meu lugar de recuperação. Just because you feel itDoesn't mean it's thereJust because you feel itDoesn't mean it´s there Tateamos nosso rosto com mãos titubeantes como quem procura sorver efluvios de sentimentos q parecem se esvair dos poros. You can try the best you canIf you try the best you can The best you can is good enoughIf you try the best you canIf you try the best you can The best you can is good enoughSim eu tento o melhor q posso e isso é tudo q tenho a oferecer.Somos atomo em movimento perpetuo. You're living in a fantasy worldYou're living in a fantasy worldYou're living in a fantasy worldThis beautiful world Da minha boca para sua um bju como elo de sentimentos metamorfoseados q nos infla.Me perco em vc e a reciproca é verdadeira.Não estou aqui.Não me pertenço.Somos um unico e amorfo corpo denso de ilusões confusas q se completam onde o tempo não mais existe. That there That's not me I go Where I please I walk through walls I float down the Liffey I'm not here This isn't happening I'm not here I'm not here I'm not here."

Radiohead - Jigsaw Falling Into Place

Ae galera do Peixes Estranhos,valeu pelo convite.Vou postar um video q fiz usando poema do Pessoa e uma otima canção dilacerante do radiocabeça.
Enjoy it.

Queridos e estimáveis Peixes:

É com muita satisfação que me sento nesta cadeira, ao som de Last Flowers, no intuito de reavivar este nosso espaço que, durante algumas semanas seguidas, foi nossa válvula de escape, solucionadora e amenizadora das piras as quais todos nós, simultâneamente, nos envolvemos no decorrer do segundo semestre deste ano!
É sabido, por todos nós, que fomos tomados por outros afazeres pungentes e vícios impregnantes e desvencilhantes DEMAIS, e que essas outras obrigações acabaram nos deixando longe dos posts e das análises das músicas Thom-Yorkeanas.
Minha proposta neste momento, meus caros, pegando carona neste maravilhoso espírito natalino, é de que voltemos!
E, para começar a apoteose de sensações analísticas Radioheadianas, postarei um texto do meu mais novo amigo e fã purulante de Radiohead, meu estimadíssimo Rogério! (Danilo, mano... acho que achei um cara MAIS fã de Radiohead do que você nesse mundo, hehehe). Depois deste post inaugural, convido-o a fazer parte da Equipe do Peixes Estranhos, na intenção de engrossar o nosso caldo sensorial analítico!! Topas??
Vamos ao texto, sem edições. Vou colar exatamente como me foi enviado, no meio da madrugada, já em altos níveis de alucinação e loucura: fluxo de consciência, inconsciência, sensores, 1, 2, 3, já:


"... ouço o barulinho musical da agua ao fundo.Gotas q se equilibram nos telhados sendo substituidas do seu momento efemero de uno,uma apos a outra,caidas desse ceu de nuvens caliginosas q pesa sobre mim.O cenario é surreal.Me sinto transportado para um mundo onirico, como numa pintura de Dali.O piano de "last flowers" ,lancinante,como pensamentos plangentes vindo a tona.Relief and believe.Amargo,olho pra mim mesmo e tento saber se sou oq penso q sou.Em q momento decidi ser oq me tornei?O final dessa musica me traz um recordação de "karma police". "It's too much, too bright, too powerful...." ai vc ouve o fim de "karma police"... "phew for a minute there I lost my self..." Colher pensamentos bruxuleantes plantados em seu subconsciente fertil.Ter vislumbres das inebriantes paisagens noturnas na janela de um onibus.O ceu é fabuloso na escuridão.E eu um noctivago.As piras radiohedianas são fantasticas e quanto melhor o cenario,melhor a viagem.O melhor entendimento de um sentimento controverso. "It's too much, too bright, too powerful...." Sim,os cenarios são tudo isso. "And i can't face the evening straightAnd you can offer me escapeHouses live and houses speak..." Uma casa sem amor é um casa sem vida nem conversa.Digo de um lar.Quem não sabe lidar com isso prefere a companhia muda de si mesmo.Cala-se introspectivo e taciturno e apenas ouve: "relief, believe, relief, believe....." É disso q preciso.Quem podera oferecer alguma fuga das sensações com as quais não se aprende lidar?Fuga,se ha ainda não conheço.Mas existem os paliativos.Um lugar ermo onde possa ter uma visão estupefaciante do ceu e "last flower" altissonante num mp3.Me deito e me eskeço q sou eu.Deixo-me respirar e por alguns momentos sou apenas mundo..."


Agora a performance da música, pra quem ainda ão conhece e pra quem já conhece demais:
http://www.youtube.com/watch?v=WDdleGysNys


Hey Fishes, opinions are expected!
Sucesso, e que venham os posts Farseantes-Natalinos!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ecce

Eis Bodysnatchers, pra quem não conhece.



I do not
Understand
What it is
I've done wrong
Full of holes
Check for pulse
Blink your eyes
One for yes
Two for no

I have no idea what I am talking about
I am trapped in this body and can't get out
Ooooohhhh

You killed the sound
removed backbone
A pale imitation
With the edges
Sawn off

I have no idea what you are talking about
Your mouth moves only with someone's hand up your ass
Ooooohhhh

Has the light gone out for you?
Because the light's gone for me
It is the 21st century
It is the 21st century
It can follow you like a dog
It brought me to my knees
They got a skin and they put me in
They got a skin and they put me in
All the lines wrapped around my face
All the lines wrapped around my face
And for anyone else to see
And for anyone else to see

I'm a lie

I've seen it coming
I've seen it coming
I've seen it coming
I've seen it coming

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Invasores de Corpos

Fuja! É impossível fugir, mas fuja!

Atendo a um pedido peixístico de dois posts atrás.

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Explicar poesia - ainda mais a de uma música como Bodysnatchers - é tarefa que pode resvalar num ridículo semelhante ao daquele arquetípico chato que vive explicando piadas. Vou tentar, no entanto, sabendo que o que eu fizer aqui pode soar como o Piada em Debate, da TV Pirata.

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Invasion of the Body Snatchers é um clássico do cinema de ficção científica. Rodada em 1956, a história de uma singular invasão alienígena sofreu diversas outras adaptações e remakes. Uma delas, mais ou menos recente, era habitué do desesperador Domingo Maior da Globo - a história não será estranha para muitos, portanto. O argumento central do filme é a sorrateira invasão de alienígenas que tornam-se duplicatas de seres humanos. A versão de que me lembro mais vivamente retrata as duplicatas como seres de comportamento anestesiado, cujos impulsos se voltavam única e exclusivamente para a manutenção e expansão de seu próprio sistema. As duplicatas, "pálidas imitações com as extremidades decepadas", agiam de modo a apagar a individualidade em busca de uma maneira normal de agir, pensar e sentir: A pale imitation / With the edges / Sawn off.

À exceção do possível teor de alerta ao comunismo da primeira versão, Thom Yorke segue a metáfora dos filmes. Bodysnatchers é um estridente despertador que teima em tocar nos ouvidos de uma sociedade cujos indivíduos trabalham em conjunto para a manutenção de seu próprio estado vegetativo: Check for pulse / Blink your eyes / One for yes / Two for no. No entanto - e eis o que distingue as letras do Radiohead - Yorke mostra-se também imerso no coma, ele mesmo tentando escapar sem saber como - e falhando: I have no idea what I am talking about / I am trapped in this body and can't get out.

Has the light gone out for you? / Because the light's gone out for me / It is the 21st century / It is the 21st century, lamenta Thom Yorke. "Vocês não são máquinas, são homens!", insta Chaplin no emotivo discurso final de O Grande Ditador. A escuridão que ameaçava o mundo de Chaplin era o nazi-fascismo, que prometia enterrar os mais acalentados ideais iluministas. Qual é a escuridão do século 21? Em Bodysnatchers, é exatamente o fato de que tornamo-nos cada vez mais máquinas, ou melhor, cada vez mais engrenagens dóceis de uma grande e poderosa máquina. Porém, sinal dos tempos, ao passo em que Chaplin ainda tinha motivos para bradar "vocês, as pessoas, têm o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar a felicidade, (...) de fazer dessa vida uma aventura maravilhosa", o grande esquema das coisas do século 21 é inescapável e não dá espaços para otimismo, como percebe Yorke: It can follow you like a dog / It brought me to my knees / They got a skin and they put me in / They got a skin and they put me in.

Bodysnatchers é, em última análise, um reflexo do próprio In Rainbows e mesmo das questões que envolveram seu lançamento. Em primeiro lugar, In Rainbows é o contrário de Kid A e Amnesiac. Enquanto os dois últimos simbolizaram uma fuga genial aos padrões, In Rainbows se assemelha a uma tentativa de responder aos padrões, brincando com as regras do jogo, mas respeitando boa parte delas. Algumas de suas músicas são claramente pop - não aquele pop de rádio mas, ainda assim, pop. Em segundo lugar, o lançamento pela internet com preço sugerido pelo cliente não é, como pensam alguns, um engôdo oportunista ou, como pensam outros, um gesto quase altruísta da banda. É uma forma de desrespeitar algumas das regras mais sórdidas sem jogar fora a maior e inescapável: ganhar dinheiro (muito embora tenha parecido que o Radiohead não se importe com dinheiro). O final de Bodysnatchers é o exemplo de toda essa ironia e ambivalência: And for anyone else to see / I'm a lie.

Parece dizer-nos: essa é vida que temos que viver, mas viva-se discordando dela. Reconhecer as fraquezas do grande esquema é o primeiro passo para que, se não nós, outros que virão possam implodí-lo. I've seen it coming, I´ve seen it coming...

O encarte oficial

Já que hoje fiquei sem World of Warcraft, aqui vai de presente para todos os Peixes e amigos e familiares e desconhecidos o scan do encarte oficial de In Rainbows.

Agora dá pra entender Reckoner.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Só nos faltam as espinhas!


Infelizmente os peixes terão que se ausentar por período inderteminado.
Não se trata de doenças, nem mesmo luto.

A imagem ao lado registra bem o que ocorre conosco.

E não adianta ficar pasmo como estão os garotinhos.
(Imagem de um episódio de South Park sobre World of Warcraft)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

????

Alguma coisa em Bodysnatchers me incomoda.
Ainda não consigo definir o que é. Talvez porque não entendi muito bem o que a música sugere.
A única sensação que - para mim - está completamente explícita, é o desespero.
Estaria falando de controle? De poder?

Quem são os "eles" que trancafiaram-no?
Mas o que estaria chegando?
Bem, não sei de mais nada. Espero que algum outro peixe me auxilie nessa pira.
De uma coisa eu sei e concordo com Thom:
"Não faço idéia sobre o que estou falando
Estou preso nesse corpo e não consigo sair"



Sobre a foto
: Muito embora nossos olhos nos enganem, eu não pretendo fazer o mesmo.
A foto foi uma simulação da queda de um homem no 11 de setembro.
Tratava-se do artista performático chamado David Janiak.
Como podemos concluir, meus caros: Tudo não se passa de uma grande ilusão




terça-feira, 6 de novembro de 2007

Here I'm allowed
everything out of the time!

I'm here, I'm really here!
E vou começar a compartilhar minhas piras radioheadianas! Piras essas que surgiram há poucos meses, assim como surgiu em mim, mesma época, uma outra pessoa, morando em outro lugar, pensando em outras coisas, fazendo outras coisas...
Espero passar o choque inicial... ou, pelo menos, o choque dos últimos quatro dias, em que a sonoridade alucinante (perfeito para um primeiro adjetivo, não?) de Tom York potencializou-se em gênero, número e grau, entrando por meus ouvidos inebriados, desencadeando sinápses neurais, sangue vermelho nas veias, semi-taquicardia, pêlos enrijecidos, riso, olfato, visão, paladar... a dor fininha que há anos tento explicar, the rain drops!

Sim, eu estou frenética em Radiohead.
E voltarei em breve, com outras interpretações contestáveis!

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Retire a Música

Exit Music

Nada boba, nada ingênua.
Fala de amor. Amor que deveria ser impraticável, mas que se efetiva, mesmo que aos olhos derradeiros.

Simplesmente amor. Pendor do afeto, da afeição, do desejo, da alma...


Bem, deixe-me pôr os pés no chão...
Embora eu até goste um pouco de Baz Luhrmann, pelo emocionante e maravilhoso Moulin Rouge, não gostei da sua adaptação de Romeu e Julieta. Ainda prefiro o antigão, ambientado em época elizabetheana.
Mas enfim, a dita música fazia parte da trilha sonora do filme adaptado por Luhrmann.

Mas como resisto aos meu gostos, preferi (e encontrei ainda) colocar um vídeo postado por quarrel84 no bendito do Youtube.
As imagens são da versão de Franco Zeffirelli (o antigão que falei acima) Um clássico de 1968.


video

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

No limbo

Palavras inspiradas por In Limbo, do Kid A.

É não existir
E viver morto
É nascer e morrer
E viver, nascer e morrer
E ressurgir e desaparecer
É como se existisse
É como se fosse óbvio
É não gostar do filho
É temer o nada
É a ignorância confessa
É um mundo fantástico
É uma mensagem ilegível
É uma virgem grávida
É uma abdução periódica
É o limbo



I'm lost at sea
Don't bother me
I've lost my way
I've lost my way

You're living in a fantasy world
The most beautiful world

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Apenas pessoas...


Alguém por aí ...por favor, dá para me entender?

Crítica da crítica

Aqui, a quem possa interessar, a minha crítica da crítica de In Rainbows do Folhateen.

Mandei uma carta pra Folha, que obviamente não foi publicada. Deram espaço só para cartas com argumentos ad hominen. Assim é fácil se defender.

Como diria a ilustre colaboradora desse espaço: "Ah, Fortino, vai entrevistar Avril Lavigne, vai..."

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ponto em Movimento

Não há concordância entre nós amigos blogueiros quando nos referimos a música "Where I End And You Begin". Danilo vê uma coisa, Aline (Sucesso, cade você? Escreve, vai) outra, muito próxima da dele aliás. Mas ambos enxergam o amor shopenhauriano presente na letra.

Mas... muito embora, eu julgue Shopenhaurer pungente, não sei, não consigo vê-lo aqui.



Bem..."There's a gap in between".

Partindo da frase acima, a impressão que me fica é de que há uma pontuação-metafórica através da palavra ESPAÇO. Designando uma mudança total no seu ser. No seu modo de pensar e ver o mundo.

Acredito que essa mudança se confirma através da frase "onde eu termino e você começa".

E o personnage (de la bella musica) sente a sua mudança. Passando a ver os demais homens com distanciamento, assim como o seu EU passado. E de cima ele observa, e não mais consegue voltar, pois a mudança do seu EU é definitiva.

E analisa. E passa a ver o imaginativo, os símbolos, a farsa, a construção humana.

Demarca o ESPAÇO com um X, separa as ondas , desmorona a casa. E sente o seres humanos na sua essência mais primeva, sem as máscaras, sem as farsas e as criações que os cercam de maneira intrínseca.


Segue a letra ;0

"Where I End And You Begin"

There's a gap in between
There's a gap where we meet
Where I end and you begin
And I'm sorry for us
The dinosaurs roam the earth
The sky turns green
Where I end and you begin
I am up in the clouds
I am up in the clouds
And I can't and
I can't come down
I can watch and cant take part
Where I end and where you start
Where you, you left me alone
You left me aloneX'll mark the place
Like the parting of the waves
Like a house falling in the sea
In the seaI will eat you alive
There'll be no more lies
I will eat you alive
There'll be no more lies
I will eat you alive
There are no more lies
I will eat you alive












terça-feira, 16 de outubro de 2007

Over my rag and bone man's dead body - algumas impressões sobre "go to sleep"





Algo para o negociante de tralhas*
“Só por cima do meu cadáver”
Algo grande acontecerá
“Só por cima do meu cadáver”

Filho ou filha de alguém
“Só por cima do meu cadáver”
Desta forma que eu me acabo sendo tragado
“Só por cima do meu cadáver”

Vou dormir
Deixe que tudo desabe sobre mim

Nós não queremos despertar o monstro que domina
“Cerque-o para que fique amarrado sem ação”
Nós não queremos deixar que os lunáticos dominem
“Cerque-os para que fiquem amarrados sem ação”

belos cavalos de maio
Apareçam para você enquanto dorme

Vou dormir
Deixe que tudo desabe sobre mim

.....................................................................................................................................................................

Go to sleep é animal porque tem um riff marcante, o tempo sincopado brinca com o batimento cardíaco 4/4 dos seres humanos.

O timbre “grunjão” de violão tocado no deserto passa um clima de duelo.

“Over my dead body”, frase de alguém que não cede nem a pau, tipo redneck briguento, o que talvez seja a grande ironia da letra.

Final grandioso, os riffs ganham mais presença e o solo de guitarra entrecorta a harmonia com timbres deste planeta, mas com notas e rítmicas de outro lugar.

Traduzir “Rag and bone man” é complicado. Coloquei “negociante de tralhas” para aproximar dos catadores de lixo e sucata, prática que existe no mundo "civilizado" também, e que, segundo um artigo do "The Guardian" do ano passado, não sei se isso é válido pra esse ano também, os ingleses "fingem" desconhecer a existência do rag and bone man.

Talvez essa seja a música do cara derrotado. Que perdeu o duelo para o mundo, mas não a pose de dorminhoco, ou morto. Over my rag and bone man's dead body!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Você e o exército de quem?


Post inspirado em You and Whose Army?, do Amnesiac.

A letra está aqui.

Bélica arte.







Quer brigar? Venha
Venha, puxe a faca
Mostre os dentes
Afie as garras
Arrepie a espinha
Não tenho medo

É isso o que me oferece?
Isto são suas armas?
Onde está seu exército?
Este é o seu exército?
De quem é este exército?

Sua terra, minha horda
Eu invado, você me ocupa
Mutile-me, empalo-te
Extripe-se, decapto-me
Banho de nosso sangue

Palavras, canções e simples reflexões

Sempre julguei Radiohead musicalmente fantástico.
As batidas, as melodias, o ritmo. A junção de tudo isso!
Ao contrário do que alguns supõem - que Radiocabeça nos causa um estado de letargia -
para mim funciona como uma espécie de estupefaciente.

Primeira impressão:
Auditivamente já estava perfeito. Tanto que não me prestava a ler as letras das músicas. Mas, quando realmente comecei a ter contato com a elocução... pirei de vez!

É verdadeiramente uma obra de arte. Por dentro e por fora.
Transborda abstração. E, justamente por isso, podem ser múltiplas as interpretações numa simples estrofe.


Au sujet...


Let Down é uma daquelas músicas que nos fazem ver, reconhecer e sentir em qual mundo estamos verdadeiramente inseridos. Movimento. Sociedade moderna. Ausência e reformulação de vários sentimentos.

Pessoas perdidas, concorrendo com o tempo. Não se enquadrando. Se afundando. Sendo massacrados, "esmagadas como um inseto" (totalmente Kafka).

Com uma ponta de otimismo, a poesia surtante dos caras não deixa o ser completamente destruído, privado de vida. Com enorme ira, ele se reergue, mesmo sendo considerado improfícuo.

Crítica clara à indiferença, à impessoabilidade, à frieza e à concorrência. Produtos da sociedade moderna. E além da magnífica sonoridade, há palavras inquietantes. Uma denúncia sutil.

domingo, 14 de outubro de 2007

Idioteca



O que seria da arte sem a interpretação?

Qual o propósito da arte, senão gerar mais idéias, mais sensações, mais arte?

Engolimos música e expelimos palavras.

Ao som de Radiohead.

Pois temos tempo para analisar, temos tempo para pensar devagar.