Por muito tempo, considerei este blog um monumento à vergonha de ter feito o que fiz com uma pessoa muito querida.
Quando se chega à constatação de que um "I´m sorry, really, really sorry" é não só impossível como também inócuo, o que deve ser feito?
Talvez seja bom, talvez não. Mas devemos olhar o fantasma, a culpa, nos olhos, e viver. Sem esquecer, mas sem deixar de viver. Why not? Não é incompatível.
sábado, 26 de junho de 2010
I Will (LA version) - ao vivo no Porto
A mais brilhante versão de I Will que encontrei.
Convenhamos, por que eles não deixaram a "LA" no álbum? Ela, estúdio:
Convenhamos, por que eles não deixaram a "LA" no álbum? Ela, estúdio:
terça-feira, 22 de junho de 2010
Quando me olho...

Quando olho pra mim não me vejo.
É qualquer outra coisa amorfa.
Uma interpretação simulada que se contradiz.
A boca seca num anseio lacônico.
Tão perfeito me é longe de mim.
Passos tremulos num pavimento de ideias etereas.
Meus musculos doem cansados do ócio que lhes imponho.
Quando olho pra mim.
Um futuro enrrugado e repleto de uma fé errônea.
Angustia vívida demoradamente sentida.
Quando olho pra mim tranco me.
Fatigado pelo esforço de ouvir um vazio absoluto.
O silencio apavorante como uma comichão por dentro.
Uma frase cristalina de quem ignora o próprio destino.
Esforço de ensinar ao olhos não perder se na escuridão e
na ausência de si mesmo.
Alma de quem vive a sorte incerta.
Demorar se numa prece que já não me faz sentido.
Quando me olho,hesito.
Quando me vejo,duvido.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Backdrifts
Recue, recue
Não se entregue.
Não seja tão pequeno,
Seu corpo está delgado.
Não se deixe ser levado pelo vento,
Há evidências por todos os lados;
Não desita tão fácil,
Tente.
Backdrifts
We're rotten fruit
We're damaged goods
What the hell, we've got nothing more to lose
One gust and we will probably crumble
We're backdrifters
This far but no further
I'm hanging off a branch
I'm teetering on the brink
Oh honey sweet
So full of sleep
I'm backsliding
You fell into our arms
You fell into our arms
We tried but there was nothing we could do
Nothing we could do
All evidence has been buried
All tapes have been erased
But your footsteps give you away
So you're backtracking
Ah ah ah
You fell into our arms
You fell into our arms
We tried but there was nothing we could do
Nothing we could do
You fell into our, ah
You fell into a
We're rotten fruit
We're damaged goods
What the hell, we've got nothing more to lose
One gust and we will probably crumble
We're backdrifters
Não se entregue.
Não seja tão pequeno,
Seu corpo está delgado.
Não se deixe ser levado pelo vento,
Há evidências por todos os lados;
Não desita tão fácil,
Tente.
Backdrifts
We're rotten fruit
We're damaged goods
What the hell, we've got nothing more to lose
One gust and we will probably crumble
We're backdrifters
This far but no further
I'm hanging off a branch
I'm teetering on the brink
Oh honey sweet
So full of sleep
I'm backsliding
You fell into our arms
You fell into our arms
We tried but there was nothing we could do
Nothing we could do
All evidence has been buried
All tapes have been erased
But your footsteps give you away
So you're backtracking
Ah ah ah
You fell into our arms
You fell into our arms
We tried but there was nothing we could do
Nothing we could do
You fell into our, ah
You fell into a
We're rotten fruit
We're damaged goods
What the hell, we've got nothing more to lose
One gust and we will probably crumble
We're backdrifters
terça-feira, 14 de abril de 2009
Gap
Há um espaço onde eu termino e você começa. Há um espaço onde termina a interpretação e começa o objeto. E há um pequeno espaço entre mim e o eu-lírico de Where I End and You Begin.
Onde eu termino e você começa há um espaço, uma lacuna, um buraco. Há uma barreira que me impede de tocá-la e de evitar amá-la. Você está quase ao meu alcance, quase. Eu te vejo, observo teus atos, esmiúço teus detalhes. E quando prendo meus olhos aos teus, estou nas nuvens.
Há tempo para evitar o meu fim e o seu começo? Não houve tempo para Thom. Ele foi deixado pra trás, sozinho, enquanto sua vida desmoronava no mar. Thom perdeu o sentido da temporalidade. Ele vê novamente os minutos caindo num instante como grãos em uma ampulheta. Ele vê os milhões de anos disso tudo passando como um raio. Thom está fora do tempo, sua existência não existe. Ele vive tanto quanto um fóssil, o fóssil viveu, Thom viveu, o fóssil vive, qual a diferença entre Thom e um dinossauro?
Eu sou diferente do dinossauro. Eu estou nas nuvens. As nuvens são tudo, as nuvens são eu e você e tudo o mais, o mundo à nossa volta. As nuvens são a realidade da dor e a fantasia do prazer. Eu não consigo me livrar das nuvens. Eu não quero me livrar das nuvens.
O que há no espaço entre a minha experiência que começa e a de Thom, que termina? Essa coisa que queima e se instala em todas as mentes. Essa coisa que nos come inteiros, vivos. Esse desejo mais profundo individualmente personalizado na figura de uma outra pessoa, da qual não mais conseguimos desviar o olhar, as mãos, a boca, o sexo. Essa ilusão enraizada na mais profunda essência dos animais que copulam, essa ilusão que se apodera de nós e nos faz dizer a verdade quando realmente a sentimos, olho no olho, eu te adoro, eu te amo, eu preciso de você.
Onde eu termino e você começa há um espaço, uma lacuna, um buraco. Há uma barreira que me impede de tocá-la e de evitar amá-la. Você está quase ao meu alcance, quase. Eu te vejo, observo teus atos, esmiúço teus detalhes. E quando prendo meus olhos aos teus, estou nas nuvens.
Há tempo para evitar o meu fim e o seu começo? Não houve tempo para Thom. Ele foi deixado pra trás, sozinho, enquanto sua vida desmoronava no mar. Thom perdeu o sentido da temporalidade. Ele vê novamente os minutos caindo num instante como grãos em uma ampulheta. Ele vê os milhões de anos disso tudo passando como um raio. Thom está fora do tempo, sua existência não existe. Ele vive tanto quanto um fóssil, o fóssil viveu, Thom viveu, o fóssil vive, qual a diferença entre Thom e um dinossauro?
Eu sou diferente do dinossauro. Eu estou nas nuvens. As nuvens são tudo, as nuvens são eu e você e tudo o mais, o mundo à nossa volta. As nuvens são a realidade da dor e a fantasia do prazer. Eu não consigo me livrar das nuvens. Eu não quero me livrar das nuvens.
O que há no espaço entre a minha experiência que começa e a de Thom, que termina? Essa coisa que queima e se instala em todas as mentes. Essa coisa que nos come inteiros, vivos. Esse desejo mais profundo individualmente personalizado na figura de uma outra pessoa, da qual não mais conseguimos desviar o olhar, as mãos, a boca, o sexo. Essa ilusão enraizada na mais profunda essência dos animais que copulam, essa ilusão que se apodera de nós e nos faz dizer a verdade quando realmente a sentimos, olho no olho, eu te adoro, eu te amo, eu preciso de você.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Sim, eu também vou me pronunciar sobre o grande dia...
Assim que eu conseguir voltar ao normal, depois do transe que rolou durante aquelas horas.
Mas uma coisa já posso adiantar: estou orgulhosa de ter participado de uma noite que, certamente, entrou pra história da música mundial.
Ou, pelo menos, pra minha própria história.
Volto logo!
Assim que eu conseguir voltar ao normal, depois do transe que rolou durante aquelas horas.
Mas uma coisa já posso adiantar: estou orgulhosa de ter participado de uma noite que, certamente, entrou pra história da música mundial.
Ou, pelo menos, pra minha própria história.
Volto logo!
terça-feira, 24 de março de 2009
Set List São Paulo

Dia 22/03/2009. São Paulo caotica num domingo de classico. Santos e Corinthians se enfrentavam no Pacaembu. No banco passageiro eu tentava conter minha frenesi com goladas de vodka e gelo. Não pelo jogo. Mas pela iminência do que presenciaria. Trinta mil pessoas vivenciando duas horas de uma catarse coletiva.
Garoa fina no caminho. Estomago gritava enviando seus sinais ao cerebro. Paramos.
Estavamos entre cervejas e quitutes num restaurante beira de estrada. Falamos dos Beatles e Oasis e da falta de icones no mundo moderno. Ouviamos Cachorro Grande com saudosismo melancolico dos anos maravilhosos do rock'n'roll. Teria realmente fenecido a vitalidade e a essência do rock?
Por volta das cinco horas adentramos o lugar.
Cigarros tragados profusamente. Ansiedade corroendo o espirito. Frio na barriga.
Embriagado disolvo na lingua o que pra mim não passaria de papel. Dentro do cerebro o estimulo em explosões de alegria. Cores vivas de um palco surreal. Abdução.
As 22:00 de um domingo cinzento de ceu nublado, teve inicio o que pra mim é a maior experiência da minha vida ate aqui.
Falando-se de um evento musical.
:D
set list SP:
15 Step
There There
The National Anthem
All I Need
Pyramid Song
Karma Police
Nude
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Talk Show Host
Optimistic
Faust Arp
Jigsaw Falling Into Place
Idioteque
Climbing Up The Walls
Exit Music (For A Film)
Bodysnatchers
Bis 1
Videotape
Paranoid Android
Fake Plastic Trees
Lucky
Reckoner
Bis 2
House of Cards
You and Whose Army
Everything In Its Right Place
Creep
segunda-feira, 23 de março de 2009
Every thing

(...)
Então eu gritei "PYRAMID SONG!", com a certeza de que nunca seria tocada. Thom Yorke ouviu meu apelo dentre 30 mil pessoas a 50 metros de distância e disse para os roadies: "bring me the piano! Danilo is asking me to play Pyramid Song, let´s do it, Ed". E foi tocada a mais bela Pyramid Song de todos os tempos.
(...)
Foi aí que o palco ficou todo vermelho, como havia ficado todo vermelho em Tóquio antes de que fosse tocada a primeira música do Radiohead que sequestrou meus neurônios. Phil Selway bateu duas vezes nos tons da bateria com aquelas baquetas de ponta gorda. Colin Greenwood deu outra dica tocando aquela linha de baixo e seu irmão Jonny, a da guitarra. E, desde então eu sabia, nada mais poderia impedir que a mais perfeita Optimistic fosse executada.
(...)
A música que começava a sair do violão de Thom Yorke, Exit Music, era a mais inesperada de todas as músicas da noite e a cada segundo dela eu sabia que se produzia um momento inesquecível, particularmente inesquecível, para duas pessoas que se abraçavam e se beijavam em outro plano sem olhar por um segundo sequer para o palco. Everything in its right place, in its right place, in its right place. É, Thom, você tem razão.
Então eu gritei "PYRAMID SONG!", com a certeza de que nunca seria tocada. Thom Yorke ouviu meu apelo dentre 30 mil pessoas a 50 metros de distância e disse para os roadies: "bring me the piano! Danilo is asking me to play Pyramid Song, let´s do it, Ed". E foi tocada a mais bela Pyramid Song de todos os tempos.
(...)
Foi aí que o palco ficou todo vermelho, como havia ficado todo vermelho em Tóquio antes de que fosse tocada a primeira música do Radiohead que sequestrou meus neurônios. Phil Selway bateu duas vezes nos tons da bateria com aquelas baquetas de ponta gorda. Colin Greenwood deu outra dica tocando aquela linha de baixo e seu irmão Jonny, a da guitarra. E, desde então eu sabia, nada mais poderia impedir que a mais perfeita Optimistic fosse executada.
(...)
A música que começava a sair do violão de Thom Yorke, Exit Music, era a mais inesperada de todas as músicas da noite e a cada segundo dela eu sabia que se produzia um momento inesquecível, particularmente inesquecível, para duas pessoas que se abraçavam e se beijavam em outro plano sem olhar por um segundo sequer para o palco. Everything in its right place, in its right place, in its right place. É, Thom, você tem razão.
(...)
The head of state has called for me by name, but I don´t have time for him. It´s gonna be a glôôooôôoorius daaaay. Está sendo, obrigado. We are standing on the edge, Thom.
(...)
Creep, por fim, me lembrou que o show não era só pra mim e pra ela, mas para outras 29.998 pessoas naquele descampado. O que, também, não deixava de ser lindo.
___
Ah, qual o problema em, por duas horas e meia, ser romântico, sentir-se no centro do mundo? Dizem que Luis XVI, no dia 14 de julho de 1789, escreveu em seu diário: "Nada". Se eu também escrevesse um, registraria lá no dia 22/03/09: "Tudo".
quarta-feira, 18 de março de 2009
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